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Mark

A INDEPENDANÇA DA BATATA

2023



Performance e instalação
madeira, batatas, terra,
circuito elétrico, lâmpada





“Eu não sei se sou livre.
Teoricamente, diria que sim.
Comparando a minha circunstância,
Sei que tenho o privilégio
De dizer que vivo em liberdade.

Ainda assim,
Nos minutos menos desenvoltos do meu dia,
Sinto que sinto menos liberdade do que a que devia.

Sou refém de como foi dito que devia circular nas estradas.
Sou escrava de um mundo-objeto em que nada importa mais do que a minha nota de crédito.
Sou pupila da obsessão de subir neste mundo cão.
Sou esculpida pelos olhos de quem vomita uma impressão.

Sou restrita pela fragilidade fútil de ser pequena e ser mulher.
Sou queimada pela língua ácida de quem não me quer.
Sou rendida à farmácia que me faz estar bem.
Sou escassa de trabalho que só surge em vai-vém.

Sou extorquida por um sistema que só toma e não quer dar.
Sou a mente, mãos e alma do que sentem sem pagar.
Sou carburante do carburador de um carro que não controlo.
Sou extinta pela carência de ordenados-quase-esmola.

Que sou livre? Não me digam que sou livre.
E se o ousarem dizer, então pelo menos que me o deixem ser.

Hoje exercitarei a minha falsa — ou vaga — liberdade.
Hoje exercita-la-ei na heterotipia que são as quatro paredes desta galeria.
Hoje exercitarei a minha liberdade ao não falar sobre liberdade.
Serei livre ao falar pura e simplesmente sobre batatas.”


(text spoken in the performance)



         
Esta peça apresenta-se como um manifesto de auto-empoderamento e coletivismo. Historica- mente, a batata tem vindo a ser recorrentemente apresentada como um símbolo do “indivíduo comum”, ou da classe trabalhadora.

Numa performance apresentada no dia da inau- guração, assumo-me simbolicamente como uma batata também. Emergindo do solo, conecto as batatas em meu redor, convertendo-as numa bateria que alimenta uma lâmpada, iluminando a sala. No entanto, a reação química responsável por gerar energia resulta no esgotamento dos nutrientes das batatas.

Num ato simbólico de liberação, na performance professo em voz alta a minha liberdade, desconecto as batatas desse sistema que as escraviza, e devolvo-as à terra para que cresçam de novo em planta.






























Obrigada:







Jonathan  Esmeralda     




Catarina
Fernando




Marta
Asbjørn


LDC Porto


Mark